“Meu pai é procurador, você vai perder seu emprego”, disse outro cliente a uma fiscal. Vídeo!

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Depois da reabertura de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro, vários vídeos circularam na internet de aglomerações e deboches feitos pelos clientes, e um deles aconteceu na Barra da Tijuca, onde o pessoal que frequentava gritava: “Eu não vou embora”, enquanto os fiscais faziam seu trabalho pedindo para que se retirassem pois já havia passado do horário de funcionamento dos bares.

(Foto: Reprodução-JornalEXTRA)

Mais um caso triste aconteceu com a assistente de coordenação da vigilância sanitária Jane Loureiro, de 54 anos, que diz ter sido intimidada por um dos frequentadores, mas ela contou que respirou fundo e preferiu manter a calma diante das ameaças que estava sofrendo e também dos xingamentos. No bar que ela estava havia mais de 50 pessoas ao mesmo tempo.

“Fui ameaçada por um que disse que o pai era procurador e que estava vendo meu nome no colete e que ia me demitir: “meu pai é procurador, você vai perder esse seu empreguinho”. Depois, fizeram um coro me xingando. Eu fiquei muito nervosa. Imagina um grupo grande de pessoas te xingando. É constrangedor, triste. Me mantive abalada, mas tranquila” disse ela em desabafo.

No bar que ela estava trabalhando, ela presenciou diversas irregularidades, tais como aglomerações, várias mesas do lado de fora (mais de 50), e muitas, mas muitas pessoas sem o uso de máscaras “Quando os garçons se aproximaram das mesas informando que o bar iria fechar, eles começaram a se revoltar. Aí começou o coro ofensivo a vir para cima da gente, falando que o que fazíamos era errado e tirava o emprego das pessoas. Falei que meu objetivo era garantir a saúde das pessoas e que não era permitido concentração. E ninguém estava de máscara” revelou Jane.

Independente de todos os xingamentos, ameaças e ofensas ela continuou lá, firme e forte fazendo o seu trabalho, e se referiu a atitude como uma forma lamentável a se tratar uma mulher “a maneira qual se tratar uma mulher” contou.

“Acho que o que a população precisa não é esclarecimento, porque está sendo esclarecido o tempo todo (a gravidade da Covid-19). A população precisa acordar. Uma senhora me disse que não achava que a pandemia era isso tudo, porque ela não tinha perdido ninguém. Eu respondi: “que bom que a senhora não perdeu ninguém, mas eu perdi muitos colegas em hospitais” revelou Jane ao jornal EXTRA.

Antes de trabalhar como fiscal, Jane costumava fazer inspeções em consultórios médicos a mais de 12 anos, mas agora com a pandemia, ela foi encarregada de fazer esta nova função, que segundo ela, esta dando mais trabalho do que imaginado.

“Faço um trabalho administrativo interno e também na rua, junto com a equipe. Sempre fui para a rua. Mesmo quando era gerente, às vezes tinha que sair para atender uma demanda mais complexa. Sempre nos desdobramos para manter todo o trabalho de denúncias. Nunca tivemos distinção de quem vai para rua ou não. Conforme a necessidade, a gente organiza o trabalho interno e vai também, não tem uma hierarquia” explicou Jane em seu desabafo.

“A gente não pode se contaminar e entrar nessa energia ruim deles. Não adianta. Essa não é a solução do problema. Eu acho que as pessoas estavam enfurecidas, talvez até indignadas por estarem perdendo pessoas e se sentidos presas. E acho que, como o Flávio (Graça, fiscal) disse, elas saíram ensandecidas. Como se o mundo fosse acabar e eles tinham que aproveitar o que podiam. Não sei o que passou na cabeça deles para serem tão hostís e não quererem respeitar normas essenciais para todos manterem suas vidas, como o uso da máscara.” concluiu.

Veja o vídeo do ataque clicando nesse link

Fonte: Jornal EXTRA.