Filho adotivo revela que mantinha relações amorosas com Flordelis e afirma que ela oferecia as filhas a pastores estrangeiros

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Um filho adotivo de Flordelis, acusada de mandar matar o marido, afirmou em depoimento que a deputada visitava seu quarto para fazer amor com ele.

Disse ainda que ela oferecia filhas adotivas para ter relações intimas com pastores estrangeiros que visitavam a casa no Rio Comprido, no Rio. O ato seria uma “forma de recepção”. O homem saiu da casa no ano 2000, após se casar. As informações foram relevadas pelo Jornal das Dez, da GloboNews, na quarta-feira (26).

O destino da deputada federal Flordelis dos Santos e de seu marido, Anderson do Carmo, na madrugada do assassinato do pastor, continua incerto. Mesmo após a conclusão da segunda fase das investigações, na qual a pastora foi indiciada pelo crime,  a dúvida sobre o que o casal fez antes do crime continua a rondar os investigadores. Uma das suspeitas da Delegacia de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo, levantada ao longo do inquérito, é de que o casal tenha ido a uma casa de swing em Botafogo, na Zona Sul do Rio.

Os investigadores da DHNISG concluíram, após receber informações da CET-Rio, que o casal não esteve em Copacabana, conforme alegado por Flordelis em seus depoimentos à polícia. O último registro do órgão foi de que o carro do casal passou naquela noite por um radar localizado na Rua Humaitá, no bairro homônimo e vizinho a Botafogo.

Flordelis: Entenda por que a deputada mandou matar o marido | Jovem Pan

Em coletiva de imprensa na manhã dessa segunda-feira (24), o delegado titular da DHNISG, allan Duarte, afirmou aos jornalistas que Flordelis e Anderson estiveram em Botafogo na madrugada do crime, e não em Copacabana.

Em seus depoimentos à polícia, Flordelis afirmou não saber o nome do local onde esteve com o marido em Copacabana e relatou apenas que eles comeram petiscos, sem conseguir também apontar a localização exata de onde estiveram. As suspeitas são de que Flordelis não quisesse revelar o verdadeiro local onde esteve com o marido. Aliado a isso, uma testemunha revelou aos policiais, ao longo das investigações, ter ficado sabendo que Flordelis e Anderson tinham o costume de frequentar uma casa de swing.

Um gerente da boate de Botafogo prestou depoimento na DHNISG em junho deste ano, mas negou reconhecer o casal como frequentador do local. O relato, no entanto, não fez com que os investigadores descartassem a hipótese, uma vez que consideram improvável que funcionários desse tipo de estabelecimento apontem possíveis frequentadores do local.

A suspeita de que o casal tenha ido à casa de swing consta em um relatório da DH do dia 1º de julho deste ano, produzido a pedido do Ministério Público estadual. No documento, ao qual o EXTRA teve acesso, é analisado o trajeto feito pelo carro do casal e apontada a proximidade da boate com o último ponto por onde eles passaram. Segundo o relatório, a distância é de cerca de 500 metros.

Após depoimento do gerente da casa, não foram colhidos novos relatos e o inquérito foi encerrado. A polícia não confirmou a suspeita e nem descartou.

Em seu último depoimento à polícia, em maio deste ano, Flordelis voltou a afirmar que tinha ido com o marido em Copacabana. Segundo ela, após comerem petiscos, eles foram para um local afastado, onde “namoraram” dentro e fora do carro. Aos filhos, o casal afirmou que iria sair naquela madrugada para comemorar o dia dos namorados. Eles saíram de casa pouco depois de meia-noite de 16 de junho e retornaram por volta das 3h15.

Denunciada pelo homicídio

“Não se trata de uma família, mas de uma organização criminosa”, foi assim que o delegado Allan Duarte definiu o grupo formado pela deputada federal Flordelis (PSD-RJ) e os demais acusados de envolvimento no assassinato do marido dela, o pastor Anderson do Carmo, em junho do ano passado. Segundo a investigação da Polícia Civil, a parlamentar foi quem orquestrou o crime, que envolveu oito integrantes da família.

O inquérito, aceito pelo Ministério Público, narra uma trama complexa e uma dinâmica familiar diametralmente oposta à imagem puritana que o casal transmitia em cultos e eventos pentecostais pelo país. O enredo inclui sexo, traições, envenenamento, rituais nada cristãos e até a prática das famosas “rachadinhas” — desvio de dinheiro de funcionários de gabinete.

Um ano e dois meses depois do crime e de uma investigação cheia de reviravoltas, a polícia concluiu o inquérito. Aos três suspeitos já presos, se juntaram mais cinco filhos de Flordelis, uma neta e a mulher de um dos detidos anteriormente. A deputada segue em liberdade, graças ao foro privilegiado, embora a polícia não tenha dúvidas de que ela desempenhou papel central na articulação do crime e em seus desdobramentos.